Feio bonito
Estou sentado no chão ao lado de uma pirâmide.
Ela é grande que sua ponta está escondida pelas nuvens carregada de chuva que passa por aqui. Logo choverá!
É feita de tijolos esquisitinhos, amarelados, desgastados naturalmente.
Onde eu me sento tem flores amarelas e um gramado verde, com arbustos espinhosos ao redor.
Estou aqui contemplando, pois não há lugar melhor no mundo para se estar.
Percebo que para ver a real beleza de qualquer coisa, basta que a observe detalhadamente.
E é verdade!
Mas… Olhando bem… Estou vendo defeitos. Defeitos ocultos pela percepção.
Uma parte é levemente maior que a outra. Algumas flores estão murchas, e são amarelas. Acho que aqui precisa de água, hein.
Os espinhos são extremamente grandes que podem perfurar um lado do braço e sair no outro lado.
A grama não é tão verde, tem círculos amarelados em alguns lugares. Ainda acho que é falta de água. Espero que chova bastante, porque isso demonstra que os funcionários passam o dia todo no telefone.
A nuvem finalmente foi embora de sua, e nada de chuva. A ponta da pirâmide é meio defeituosa devido a engenharia não ter sido muito dedicada. Não contratarei esse arquiteto. Provavelmente ele já tenha morrido.
Deus o tenha!
Ignorando os detalhes. Se todo lugar feio me fizesse tão bem da forma que me sinto, seria ótimo.
Nem tudo deve ser perfeito para lhe fazer se sentir bem, não é mesmo?!
Existem apenas algumas insatisfações estéticas que cada pessoa cria.
Mas, esse lugar ser feio e mal feito não influencia em absolutamente nada do quão agradável é estar aqui.
Não é a beleza estética de algo/alguém que o faz sentir-se bem, mas sim a energia que o faz sentir.